O rato que ruge

12/06/2007 14:16

Seattle – Seu país está em crise, precisa de dinheiro, a popularidade está em baixa e seu poder está em jogo? Ameace os Estados Unidos ou Israel, seu histórico aliado. E não se esqueça de chamar a mídia e fazer barulho, muito barulho.
É o que fazem a Coréia do Norte, o Irã, a Venezuela e agora, revolvendo a extinta Guerra Fria, o presidente russo Vladimir Putin.
Como um menino mimado, e às vésperas da reunião do G8 na semana passada na Alemanha, Putin ameaçou apontar seus mísseis para o “mundo livre”, como eram chamados os países ocidentais no passado, caso os Estados Unidos insistam em instalar mísseis na Europa Oriental para evitar um possível ataque nuclear do Irã ou de qualquer país do Eixo do Mal (ou fora dele).
Com uma guerra de palavras, que dominou as manchetes de todo o mundo por uma semana, Putin colocou a Rússia, que hoje não passa de um elefante sentado em imensas reservas de petróleo, no radar dos acontecimentos. Do jeito que se gabava o Kremlin quando a União Soviética ainda existia.
Como a história é cíclica, e como os Estados Unidos serão os xerifes do mundo por muitos anos ainda, veremos cada vez mais os americanos como uma mescla de dominadores e reféns de países que, política ou economicamente, precisam deles para sobreviver. [Leia mais…]

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Al Gore Jr. - Presidente dos Estados Unidos?

05/06/2007 11:41

Renton, Washington – Finalmente surge uma luz na sonolenta, previsível e amontoada corrida presidencial nos Estados Unidos. O ex-vice-presidente norte-americano Alberto “Al” Gore Jr., o homem que construiu a Internet e há cinco anos percorre o planeta alertando para o derretimento das calotas globais, pode ser o próximo - e imbatível - candidato do Partido Democrata à Presidência, se depender de boa parte do eleitorado, das estrelas de Hollywood e de ícones da tecnologia, como Steve Jobs, dono da Apple.
Gore, que sofreu uma roubada da história quando perdeu no Colégio Eleitoral a eleição para George W. Bush em 2000, fato que até hoje não engoliu, é hoje o que se chama de unanimidade nacional, um sentimento que não aparece aqui desde John F. Kennedy e Martin Luther King. Sua apresentação em PowerPoint, Verdade Inconveniente, com a qual ganhou o Oscar de Melhor Documentário este ano, elevou-o ao favoritimismo para ganhar o Prêmio Nobel da Paz de 2007. Menestrel do aquecimento global, Gore acaba de ser capa da revista Time (“A Última Tentação de Gore”) pelo lançamento de seu novo livro, “O Assalto à Razão”. Só não assume a candidatura porque está faltando o voto de um eleitor: ele mesmo. [Leia mais…]

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O Homem que Matou o Facínora

30/05/2007 18:08

John Wayne, o cowboy valentão que o mundo aprendeu a respeitar em mais de 250 faroestes e filmes de guerra, faria 100 anos neste final de semana. O ator, morto em 1979 depois de um câncer no pulmão (chegou a fumar cinco maços de cigarro por dia), é lembrado até hoje porque, sem dotes artísticos, pois parecia fazer o mesmo personagem em todos os seus longas-metragens, mergulhou na extrema direita antes de morrer, numa época em que ser de direita, como se diz, pegava mal.
Nascemos e crescemos assistindo ao canastrão Wayne, com uma mão nas rédeas e outro no rifle, atirar nos bandidos, beijar as mocinhas e redimir as injustiças do Velho Oeste, um período entre 1865 e 1890 onde os aventureiros, respaldados pela Cavalaria, liquidaram os índios e tomaram conta das terras que chegavam até o Pacífico.
Para os críticos, e para o próprio Wayne, Stagecoach, ou “No Tempo das Diligências”, dirigido por John Ford (seu descobridor, professor, amigo e diretor) tornou-se seu melhor filme, o trampolim que o lançaria ao sucesso, a ponto de, no final dos anos 50, ser o ator melhor pago em Hollywood, uma espécie de Tom Cruise com 1,94 e mais de 120 quilos, só que ganhando apenas 600 mil dólares por atuação. [Leia mais…]

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O show do dinheiro

24/05/2007 15:57

Que os americanos sabem ganhar dinheiro como ninguém já se sabe. O que impressiona, no entanto, é que eles fazem isto sorrindo, se divertindo, batendo boca e gritando, no melhor estilo italiano. Basta assistir a um dos canais à cabo de maior sucesso nos Estados Unidos, a CNBC, da rede NBC, uma espécie de GloboNews misturada com Bloomberg TV cheia de gente bonita, atraente, de bem com a vida, mas que só fala em dinheiro, muito dinheiro.
A rede, cujos alguns programas são exibidos no Brasil, detém quase 80% do mercado televisivo dedicado as negócios, especialmente nas tvs que ficam ligadas nos mesões das corretoras e dos bancos. Reconhecida por passar incessantemente as cotações das ações no rodapé, os chamados tickers, a CNBC furou a imprensa de todo o mundo semana passada quando descobriu que Rupert Murdoch, o empresário australiano dono da Fox, fez uma oferta hostil para comprar o The Wall Street Journal por US$ 5 bilhões. [Leia mais…]

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O primeiro bilhão a gente nunca esquece…

07/05/2007 11:56

O mundo já sabe que, a partir de agora, quem vai mandar no mundo são os chamados hedge funds, fundos de investimentos que ganham dinheiro (mas muito dinheiro) quando o mercado sobe, desce, fica à deriva ou simplesmente permanece inalterado. Para eles, perder não é uma alternativa.
Como um tsunami dos negócios, e com um patrimônio que somado chega a estonteantes US$ 2 trilhões, ou quatro vezes o PIB oficial brasileiro, eles estão comprando tudo que vêem pela frente, de montadoras de automóveis a cadeias de supermercados, de petrolíferas a empresas aéreas.
O que pouca gente sabe é quanto de dinheiro que os administradores destes fundos, que são fechados aos simples mortais, pouco regulados pelas autoridades e geralmente com endereços nas Ilhas Cayman ou nas Bahamas, ganham ao final de cada ano.
A publicação especializada Alpha Magazine encarregou-se na semana passada de revelar os números: James Simons, do Renaissance Technologies, um fundo de US$ 12 bilhões fechado a novos investidores há 14 anos, ganhou exatos US$ 1,7 bilhão em 2006. [Leia mais…]

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Guerra ao racismo

18/04/2007 13:33

Diz-se que o homem, como o peixe, morre pela boca. É o que está acontecendo com o locutor Don Imus, da CBS, demitido semana passada depois que chamou as jogadoras de basquete do Rutgers, uma universidade pública de New Jersey, na Costa Leste, de prostitutas de cabelo encarapinhado (Nappy-headed ho’s).
Imus, que assim encerra uma carreira de mais de 41 anos no rádio (seu programa também era transmitido ao vivo de madrugada pelo canal a cabo MSNBC) foi asfixiado não só pela reação em cadeia de candidatos presidenciais, jogadoras, bloguistas e pelos revanchistas de plantão, gente que pega este ato isolado e quer lixar a raça branca por séculos de opressão contra negros.
O que pesou mesmo foram os principais patrocinadores, gente como Procter & Gamble, General Motors, Staples e Sprint, cancelarem o patrocínio de US$ 25 milhões para o programa distribuído em mais de 70 rádios norte-americanas.
Como o dinheiro fala mais alto, a reação inicial do pessoal de TV e rádio foi suspender Imus, um cowboy californiano e branquelo com sotaque sulista, por duas semanas. Mas depois, com a repercussão aumentando como uma bola de neve, a CBS decidiu simplesmente demití-lo. [Leia mais…]

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Tudo que é bom custa caro?

16/04/2007 14:32

Lipitor, o remédio mais vendido em todo o mundo, com vendas de US$ 12,9 bilhões somente nos Estados Unidos em 2006, está sob o fogo cerrado das empresas de seguro saúde, como também de quem precisa abrir o bolso na hora de combater o alto colesterol.
A estatina, um dos maiores sucessos da farmacologia desde Hipócrates na antiga Grécia, já salvou milhões de seres humanos de ataques de coração e de outros males decorrentes do entupimento das veias, embora a um preço pouco acessível à maioria dos consumidores.
Lipitor está sendo vendido nas farmácias americanas, sempre sob estrito controle e com prescrição médica, o que no Brasil equivaleria à tarja preta, desde US$ 109 a US$ 645, a caixa com 180 comprimidos.
É muito dinheiro para quem precisa do Lipitor como do oxigênio para respirar: na maoria dos casos, pacientes com histórico familiar de alto colesterol, pessoas sedendárias que não fazem ginástica ou quem desconhece a diferença entre comer um toucinho e uma folha de alface.
Esta turma começou a receber este ano cartas das empresas de seguro saúde dizendo que o campeão de vendas Lipitor não está mais na lista dos remédios preferenciais, o que significa dizer que os pacientes terão de pagar integralmente o valor da droga. [Leia mais…]

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Bezos vai soltar foguete

02/04/2007 21:48

Depois de quase seis anos de mistério, uma marca registrada de todos os empreendimentos que participa, o bilionário Jeff P. Bezos, principalmente acionista da Amazon.com, a maior loja online do mundo, revelou ontem as primeiras fotos do Goddard, o protótipo de foguete que ele está construindo para passear sob a órbita da Terra.
O Goddard, construído em homenagem a Robert Goddard, pioneiro da corrida espacial que lançou um pequeno foguete da sua fazenda em Massachusetts em 1926, subiu apenas 285 pés do solo durante 30 segundos numa área ao Oeste do Texas no ultimo dia 13 de novembro. Só agora Bezos publicou as fotos no website da Blue Origin, a empresa que criou para participar da corrida espacial.
Como nos filmes de ficção científica, e como ainda fazem os russos, o foguete de Bezos sobe e desde verticalmente. Já recebeu autorizacao do Federal Aviation Administration (FAA) para fazer mais lançamentos, até chegar a uma altitude final de 100 quilômetros ou mais carregando pelo menos três astronautas e passageiros. Tecnicamente, o foguete é bastante parecido com o DC-X, ou o Delta Clipper, veículo desenvolvido pela Nasa, conhecida como a mãe de todos os foguetes. [Leia mais…]

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50 anos: e uma pergunta no ar

30/03/2007 14:55

Larry King, nascido Lawrence Harvey Zeiger , o entrevistador-mor dos Estados Unidos, líder de audiência da CNN com milhões de expectadores diários em todo o mundo, vai fazer 50 anos de entrevistas (cerca de 40 mil, segundo suas estimativas) no mês que vem.
Nesta semana, em sua mansão em Pasadena, na Califórnia, ele disse que celebrará este meio século de perguntas com uma “big” programação na emissora fundada pelo lendário Ted Turner: uma semana de entrevistas com Bill Clinton, Oprah Winfrey, Angelina Jolie e, como atração principal, ele mesmo. Será colocado na parede por Katie Couric, a âncora da CBS, a maior estrela da TV americana.
King, um homem que fumava três maços de cigarro por dia, teve um ataque cardíaco e hoje dirige uma fundação que socorre gente com problemas no coração, comanda o mais antigo programa de entrevistas que se tem notícia. Começou na CNN em 1987, mas vive de perguntas desde maio de 1957, quando largou a vassoura de uma rádio de Miami (ele era uma mistura de faxineiro e auxiliar de serviços gerais) e foi colocado no ar. No Brasil, ele aparece no canal 90 da SkyTv. [Leia mais…]

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Como fazer dinheiro do nada

30/03/2007 14:30

Aposentado da TV há oito anos, o comediante americano Jerry Seinfield voltou às manchetes na semana passada depois que a revista Forbes elegeu-o como uma das celebridades que mais ganhou dinheiro no ano fiscal americano. Jerome Seinfield, nascido no Brooklyn e filho de um caixeiro-viajante, fez mais de US$ 120 milhões no ano fiscal americano com direitos autorais e vendas de DVD. E vai ganhar mais ainda, e por muitos anos, sem fazer nada. É o 28° da lista, só que todos os outros trabalham – e muito.
“Seinfield, ou show sobre o nada”, como foi idealizado e produzido por ele entre 1989 e 1996, sequer foi percebido no começo. Com o sucesso, modificou os paradigmas da televisão americana por não contribuir em nada para a cultura, os valores familiares, o meio ambiente, a paz mundial ou qualquer outra coisa. Pior de tudo, suas histórias nunca têm final feliz. Politica, social e humanamente incorreto, é até hoje um dos campeões de audiência nos Estados Unidos.
Desde de que acabaram as temporadas, o seriado é repetido em quatro capítulos diários pela TBS e por centenas de Tvs locais, num sistema de distribuição conhecido aqui de sindicalização. De segunda à sexta, das 9 às 11 da noite. 120 minutos de Seinfield. [Leia mais…]

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Solidariedade no câncer

30/03/2007 14:11

“Você tem câncer”, as três palavras mais temidas aqui nos Estados Unidos, voltaram a assombrar o país na semana passada, quando Elizabeth, esposa do candidato democrata John Edwards, anunciou não só o retorno da doença, como também metástases em diferentes partes do corpo.
Um dia depois de solidarizar-se com Beth durante a conversa matinal com jornalistas na Casa Branca, o porta-voz da presidência, Tony Snow, também revelou que seu câncer de cólon, derrotado há dois anos com uma cirurgia, havia voltado com carga total, desta vez também com metástases no fígado.
Ambos os casos detonaram uma enxurrada de reportagens na mídia, num efeito manada poucas vezes visto na imprensa do país. As notícias foram misturadas a dezenas de manifestações de solidariedade que fazem lembrar o escritor mineiro Otto Lara Resende, dono da famosa frase “o mineiro só é solidário no câncer”. [Leia mais…]

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