O compositor Osvaldo Golijov fala sobre suas obras
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Em São Paulo a convite da Osesp, o argentino gravou um depoimento sobre as composições que serão apresentadas na Sala São Paulo nesta semana, com a Orquestra e o Coro da Osesp, sob regência de Miguel Harth-Bedoya e com a violoncelista Alisa Weilerstein. Além dos concertos de quinta, sexta e sábado dedicados a suas obras, o compositor dá uma masterclass para jovens compositores na quinta 30/09 e se encontra com o público na sexta 01/10 pelo ciclo de palestras e encontros Música na Cabeça. Informações para participação

Tatiana Parra – Inteira
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tatianaparraokPara Tatiana Parra foi natural que se decidisse pela música para trilhar sua trajetória. Afinal, vem de uma família extremamente musical. Desde cedo, se misturaram em seu cadinho de influências, cantores da era de ouro do rádio e os mineiríssimos integrantes do Clube da Esquina. Nomes aos que se somaram representantes de uma nova geração de compositores e intérpretes da MPB. Primeiro CD da cantora paulistana, ‘Inteira’ é o retrato fiel de seu percurso como musicista e intérprete. No Som Pra Viagem, seu disco recentemente lançado pela Gravadora Borandá (com distribuição pela Tratore) é o fio condutor do bate-papo com Deborah Izola.

Tatiana Parra na net:
http://www.tatianaparra.com.br
http://www.myspace.com/tatianaparra

La Clemenza di Tito, KV 621: Abertura
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Wolfgang A. Mozart

Louis Langrée regente
Osesp

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Retrato do compositor Wolfgang Amadeus Mozart (1789), por Doris Stock.

Em agosto de 1791, seu último ano de vida, Mozart recebeu a encomenda de escrever uma ópera para os festejos da coroação do imperador austríaco Leopoldo II, como rei da Boêmia, em Praga — cidade que tão bem acolhera Le Nozze di Figaro e Don Giovanni. O compositor já estava assoberbado com Die Zauberflöte e o Réquiem; contudo, sempre necessitado de dinheiro, aceitou, e a partitura foi finalizada no breve tempo de 18 dias. Acredita-se que foi seu aluno, Süssmayr (1766-1803) — que mais tarde completaria o Réquiem inacabado —, quem escreveu todos os recitativos. Com libreto de Pietro Metastasio (1698-1782) — escritor que era o modelo seguido na opera seria —, revisado por Caterino Mazzolà, La Clemenza conta a história do imperador romano Tito e da magnanimidade que demonstra diante dos conspiradores que atentam contra a sua vida. Escrita em cima da hora, a “Abertura” não utiliza temas musicais que reapareceriam ao longo da ópera; serve para criar o clima adequado para a ocasião — formal, porém festivo.

Irineu Franco Perpetuo

Manfred, Op.115: Abertura
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Robert Schumann

John Nelson regente
Osesp
Gravada em maio de 2010 na Sala São Paulo.

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Retrato do compositor Robert Schumann (1839), por Joseph Kriehuber.

O final da década de 1840, quando vivia uma fase de euforia, foi especialmente produtivo para Schumann. Após a leitura de alguns poetas, compôs, em 1848, a Canção do Advento, sobre poema de Friedrich Rückert (1788-1866). No ano seguinte, escreveria o Réquiem Para Mignon, baseando-se no romance Wilhelm Meister de J. W. von Goethe (1749-1832). Foi entre 1848 e 1849, depois de completar Genoveva, que o compositor concebeu a música incidental para o poema dramático Manfred, de Lord Byron (1788-1824). Revista em 1851, a música é encabeçada pela “Abertura”, seu trecho mais famoso.

O texto do poeta inglês, de 1817, é ambientado na Suíça; a ação se passa ora no castelo gótico da personagem-título, ora em meio às paisagens, então selvagens, dos Alpes. A obra retrata o herói romântico, que rejeitava tanto o contato humano quanto o conforto das religiões. Manfred é consumido por seu sentimento de culpa por uma transgressão, que envolve Astarte, única mulher que amou, morta por sua causa. Essa heroína espelha a irmã do poeta, com quem manteve uma relação incestuosa, na Inglaterra, antes de iniciar o exílio. São estas as últimas palavras do moribundo Manfred: “Não é tão difícil morrer”.

Schumann, que sempre se identificou com Manfred, esse herói atormentado pela loucura e pela morte, concentrou algo do enredo do texto de Byron na sua dramática abertura orquestral, dominada por três temas principais acompanhados de alguns motivos episódicos. Ainda que obedeça à forma-sonata clássica, a costura das ideias é tramada de maneira a sugerir a liberdade formal de um improviso. O primeiro tema, cromático, é mostrado logo na introdução lenta, evocando a amargura de Astarte. Às vezes, é interrompido por exclamações das cordas em fúria; assim se chega ao segundo motivo, ligado a Manfred, de recorte a um só tempo impulsivo e apaixonado. Essa ideia, por sua vez, engendra o terceiro tema, que simboliza o pedido aterrorizado de Astarte, o qual reintroduz a progressão cromática ascendente do começo.

Depois de todo um trabalho temático baseado em climas que mesclam agitação e dor, a “Abertura” extingue-se numa coda mais apaziguada, que ruma em direção ao silêncio.

J. Jota de Moraes

Abertura Grande Páscoa Russa, Op.36
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Nikolai Rimsky-Korsakov

Isaac Karabtchevsky regente
Osesp
Gravada em abril de 2010 na Sala São Paulo.

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Retrato do compositor Nikolai Rimsky-Korsakov (1898), por Valentin Alexandrovich Serov

Rimsky-Korsakov emerge de sua autobiografia, Minha Vida Musical (1909) como uma pessoa sumamente equilibrada e dona de si; é surpreendente que uma cabeça tão fresca tenha gerado tanta combustão. Influenciou toda uma geração nacionalista e a imagem que se tem da música russa, propondo um estilo que caminha sobre a fina linha entre Ocidente e Oriente, entre cristianismo e paganismo.

O compositor já tinha um catálogo polpudo de obras orquestrais, incluindo três sinfonias quando, entre 1887 e 1888, regeu a estreia das três obras que fazem dele uma referência suprema na arte da orquestração, além de garantirem sua presença no repertório: o Capricho Espanhol, Op.34; Scheherazade, Op.35 e esta Abertura Grande Páscoa Russa (Svetly Prazdnik, que, em russo significa algo como Feriado Resplandecente), Op.36. A partir dali, ele praticamente só compôs óperas até o final de sua carreira.

Apesar de ser um descrente, era fascinado por temas litúrgicos e, nessa abertura, tentou reproduzir “a impressão da missa na manhã de Páscoa, numa grande catedral apinhada de gente de todas as classes, […] o aspecto legendário e pagão desta festividade, e a transição da solenidade e mistério da noite do Sábado de Aleluia para as irrefreáveis celebrações pagãs-religiosas da manhã de Páscoa”. De fato, a Páscoa ortodoxa reveste-se de um ânimo visceral bem distante da Páscoa católica e cria um contraste marcante com o mistério da Semana Santa.

Para tornar mais vívida sua evocação, o autor baseou-se majoritariamente em temas extraídos de uma antiga coleção de cantos ortodoxos chamada Obikhod. Ao longo da partitura, ele insere pequenas descrições que revelam uma inclinação panteísta. A introdução é dominada por dois hinos, um entoado pelos sopros e o outro pelo violoncelo. As cadências do violino e da flauta representam a luz emanando do Sepulcro no momento da Ressurreição. O allegro que se segue representa os festejos matinais, com o bimbalhar de sinos, ao final, combinado com mais temas litúrgicos e com os temas da introdução num clímax epifânico.

Fabio Zanon

Roberta Campos - Varrendo a Lua
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robertacampos_varrendo_a_luaMineira de Caetanópolis, Roberta Campos foi surgindo devagar. Compondo quase que compulsivamente – são mais de 200 músicas de sua autoria -, a intérprete decidiu registrar o primeiro disco em casa. Desta forma foi ganhando corpo aos poucos o CD independente ‘Para Aquelas Perguntas Tortas’, trabalho que teve bastante repercussão e que de certa forma levou Roberta Campos à Deckdisc. É por esta gravadora que a cantora e compositora lança seu segundo álbum, ‘Varrendo a Lua’; tema central do nosso bate-papo com Roberta no Som Pra Viagem.

Roberta Campos na net:
http://www.myspace.com/robertacampos

O Piano de Chopin (Parte 2)
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Palestra de José Miguel Wisnik

O Música na Cabeça, parceria da Osesp com o jornal O Estado de S. Paulo, disponibiliza aqui a segunda parte do vídeo de sua segunda palestra, apresentada por José Miguel Wisnik, compositor, pianista e professor livre-docente de Literatura Brasileira na USP.

Além da apresentação, os palestrantes produzem um ensaio sobre o mesmo tema. Leia um trecho abaixo:

“Ultrapassando em muito a dimensão trivial da melodia na mão direita acompanhada por acordes ou arpejos na mão esquerda, assumindo o campo dado pelo piano como um campo de sonoridade total onde planos múltiplos se entrelaçam, se contrapõem e ricocheteiam, Chopin estava experimentando de maneira inaudita, nos seus Estudos e Prelúdios, as possibilidades inexploradas e a fenomenologia da própria onda sonora. Como se estudasse, com meios artesanais e alta imaginação sensível, sem falar nos seus fundamentos emocionais, a complexidade das formas ondulatórias do som, que o laboratório de música eletrônica permitiu conhecer e explorar cientificamente mais de um século depois.
[...] Romântico rigoroso e extremamente autoexigente, improvisador fulminante e inesgotável que escrevia no entanto com lentidão e atormentada angústia, esse músico fazia “ciência” poética com os sons, promovia viagens afetivas ao indizível e elevava os exercícios digitais à esfera dos exercícios espirituais.”

Leia aqui o ensaio completo de José Miguel Wisnik.

O Piano de Chopin (Parte 1)
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Palestra de José Miguel Wisnik

O Música na Cabeça, parceria da Osesp com o jornal O Estado de S. Paulo, disponibiliza aqui a primeira parte do vídeo de sua segunda palestra, apresentada por José Miguel Wisnik, compositor, pianista e professor livre-docente de Literatura Brasileira na USP.

Além da apresentação, os palestrantes produzem um ensaio sobre o mesmo tema. Leia um trecho abaixo:

“Se a música de salão supõe, como gênero, o virtuosismo superficial e o sentimentalismo, Chopin submeteu esses clichês, segundo Charles Rosen, a uma dupla estratégia despistadora: enobreceu-os, submetendo-os à iridescência sonora das complexidades insuspeitadas, ao mesmo tempo em que os tratou com desdém, ampliando e forçando o sentimentalismo de estilo ao limite perturbador da morbidez. Praticou assim a sedução fulgurante de sua música sem cair quase nunca nos ‘lugares-comuns que soam grandiosos ou bonitos e que podem ser expressos sem que se tenha a consciência perturbadora de seus significados’. Isto é, sem padecer das limitações da música de salão, embora cercado pela sua forma social, escapou também do bom gosto e do ‘afável classicismo que danificou a obra de tantos contemporâneos seus’.”

Leia aqui o ensaio completo de José Miguel Wisnik.

A Osesp é muito mais que uma orquestra
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Campanha institucional da Osesp veiculada nos meses de junho e julho em salas de cinema e canais de TV.

Cláudio Lacerda - Cantador
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claudiolacerda_cantadorDepois de ‘Alma Lavada’ (2003) e ‘Alma Caipira’ (2007), Cláudio Lacerda selecionou 14 composições de seu repertório para integrar seu terceiro CD, ‘Cantador’. Trabalho bastante autoral, já que onze das composições foram compostas em parceria por ele, o disco também evidencia sua porção ‘cantador’. Com direção musical de Sérgio Turcão, o CD do artista paulistano conta com a participação especial de Dominguinhos em uma das faixas. O disco independente, com distribuição pela Tratore, é o fio condutor do bate-papo com Cláudio Lacerda no Som Pra Viagem.

Cláudio Lacerda na net: www.claudiolacerda.com.br

Apresentação: Deborah Izola
Edição: João Prado