Solidariedade no câncer
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“Você tem câncer”, as três palavras mais temidas aqui nos Estados Unidos, voltaram a assombrar o país na semana passada, quando Elizabeth, esposa do candidato democrata John Edwards, anunciou não só o retorno da doença, como também metástases em diferentes partes do corpo.
Um dia depois de solidarizar-se com Beth durante a conversa matinal com jornalistas na Casa Branca, o porta-voz da presidência, Tony Snow, também revelou que seu câncer de cólon, derrotado há dois anos com uma cirurgia, havia voltado com carga total, desta vez também com metástases no fígado.
Ambos os casos detonaram uma enxurrada de reportagens na mídia, num efeito manada poucas vezes visto na imprensa do país. As notícias foram misturadas a dezenas de manifestações de solidariedade que fazem lembrar o escritor mineiro Otto Lara Resende, dono da famosa frase “o mineiro só é solidário no câncer”.
A doença, que atinge um entre cada três americanos, principalmente após os 70 anos, provocou o aumento da popularidade (e de doações) do candidato democrata John Edwards, como também fez do porta-voz Snow, odiado por ser o maior defensor da direita americana, uma figura simpática, legal, além de uma “peça-chave” no degastado governo Bush.
Ou seja, quem era opaco ganhou brilho. Quem era detestado ficou bonzinho.
Tanto Tony quanto Elizabeth deram um show de relações públicas, convocando a imprensa antes que as informações fosse vazadas pelos médicos. Elizabeth, no entanto, que já escreveu um livro sobre a sua luta contra a doença, postou-se ao lado do marido, apoio-o na sua decisão de manter sua candidatura (“não posso desviar este bom homem do seu destino de servir a pátria”) e, melhor ainda, deu o recado final:
- Sou como todos vocês, também vou morrer um dia, apenas sei do que provavelmente eu vou morrer.
O câncer, como se sabe, domina o imaginário coletivo das pessoas porque é a negação da vida. É o próprio corpo produzindo células que levam à destruição da órgãos afetados, pulmão, cólon, mamas e próstradas – e consequentemente à morte.
Este ano, cerca de 1,4 milhão de norte-americanos ouvirão as palavras “você tem câncer” de seus médicos. Boa parte destas pessoas vai morrer antes da hora.
Por ser uma doença apavorante, boa parte da pesquisas na medicina (mais de 600 hoje em dia) estão direta ou indiretamente relacionadas ao tema. Seja através de sofisticadas cirurgias, radiações e quimioterapias que atingem apenas os órgãos afetados, ou mesmo modificações genéticas que aumentam exponencialmente o sistema imunológico das pessoas, médicos e pesquisadores estão derrotando a doença, ou pelo menos tornando-a menos agressiva.
A idéia, segundo katie Couric revelou no CBS News, não é só fazer com que diversos tipos de câncer sejam curados – se não o forem, que fiquem como parte do dia-a-dia das pessoas, como, por exemplo, diabetes e outras doenças consideradas “mansinhas”, tratáveis ao logo da vida até o dia final.
A maior amiga do câncer, como sempre, é a falta de informação. As pessoas, em geral, morrem de medo de serem dignosticadas, e por isto dão uma de avestruz fugindo do câncer simplesmente ignorando-o. Por outro lado, ter uma postura ativa, enfrentar (e cumprir) os tratamentos e querer viver é o que o câncer menos gosta. Em geral, pessoas otimistas tem 90% da guerra ganha.
Mas o maior problema, como foi revelado no programa, é que uma vez dignosticado custa muito dinheiro manter-se vivo. Segundo o National Institute of Health, cerca de 50 mil dólares por pessoa só em remédios. Os pacientes gastaram em 2006 cerca de US$ 78 bilhões em tratamentos (cerca de 22% só em remédios), ao passo que todo o sistema de saúde norte-americano desembolsou US$ 206 bilhões no ano passado entre diversos procedimentos.
Como reduzir as chances de ter ser atingido pelo câncer? É a mesma ladainha de sempre: vida saudável, exercícios físicos, parar de fumar, queimar as gordurinhas a mais e….comer brócolis. Segundo os pesquisadores, está se comprovando que este insosso vegetal é uma espécie de bom-bril quando se trata de evitar a doença. Tem mil e uma utilidades.

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